Nova pesquisa mostra taxa de desemprego maior no Brasil

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Pesquisa passou a ser feita em todos os estados. Diferenças regionais no setor de comércio e serviços podem explicar mudança

 A nova Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou taxa de desemprego maior no país. O levantamento apontou que a taxa de desocupação no segundo trimestre de 2013 ficou em 7,4%, acima da média de 5,8% apontada pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME) no mesmo período. A nova pesquisa mostra que houve uma redução do desemprego no segundo trimestre do ano passado, de 0,6 ponto percentual, em relação aos 8% registrados no primeiro trimestre de 2013.

Para a presidente do IBGE, Wasmália Bivar, a nova pesquisa, que substituirá a PME a partir de janeiro de 2015, mostra a verdadeira dinâmica do mercado de trabalho brasileiro. "Esta pesquisa irá colocar na mão dos gestores de todo o país material suficiente que contribuirá para o desenvolvimento de políticas públicas, no intuito de diminuir as desigualdades entre as regiões do Brasil", afirmou. Wasmália contesta a comparação entre as duas pesquisas porque as amostras são diferentes e a abrangência da Pnad contínua é maior. 

Na PME, são estudadas apenas as regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Já a nova abordagem contempla todos os estados do Brasil e 3.464 municípios participam da pesquisa, entre áreas urbanas e rurais.

Estabilidade

O economista-chefe da Oppus Investimento, José Márcio Camargo, desfaz a polêmica a respeito das diferenças quanto às taxas de desocupação que a Pnad Contínua e a PME mostraram. "Não interessa que as taxas sejam diferentes, elas são incomparáveis e ambas revelam que a taxa de desocupação no Brasil está estável", disse.

De acordo com a Pnad Contínua, o nível da população ocupada no país atingiu o patamar de 56,9% no segundo trimestre de 2013, ante os 56,3% do primeiro trimestre. No segundo trimestre de 2012, a taxa havia ficado em 57,1%. Já a quantidade de pessoas empregadas no segundo trimestre de 2013 atingiu 90,6 milhões, total que ficou 1,2 milhão acima do verificado no primeiro trimestre do ano passado. O total de pessoas desocupadas atingiu 7,3 milhões no segundo trimestre de 2013, o que representou uma queda de 500 mil pessoas em relação ao total do trimestre imediatamente anterior, quando 7,8 milhões de pessoas estavam desempregadas.

Para o especialista em mercado de trabalho da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Fernando de Holanda Barbosa, o novo patamar do desemprego mostrado pela Pnad está diretamente relacionado ao setor de comércio e serviços. "A nova taxa de desemprego não surpreende. A PME mostrava as seis regiões metropolitanas onde o setor de comércio e serviços contribui de forma mais potente para a criação de empregos, o que não ocorre em outras regiões do país. A taxa aumentou porque temos diferenças importantes no mercado de trabalho entre os estados", disse o economista, para quem os dados ainda reforçam a situação de pleno emprego no país.

É a primeira vez que o IBGE divulga dados sobre emprego para todo o território nacional com periodicidade trimestral. De acordo com o coordenador da pesquisa, Cimar Azeredo, "os dados trimestrais são mais consistentes e permitem melhor análise sobre a dinâmica do mercado de trabalho em todas as regiões do país".

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