Instabilidade passa longe do pequeno empresário

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Baixo nível de desemprego e renda estável blindam micro e pequenas empresas de turbulências

A vontade de cuidar dos animais acompanha Bruna de Paula Teles desde criança, quando bancava a veterinária nas brincadeiras com amigos. A paixão de infância se tornou profissão e motivou a paulistana, agora com 27 anos, a abrir o próprio negócio. Há cerca de dois anos, na primeira edição da Feria do Empreendedor, Bruna buscou as orientações necessárias para colocar em prática o plano de inaugurar seu Pet Shop. Depois de seis meses, muita pesquisa e investimento de R$ 90 mil, a loja localizada na zona norte de São Paulo foi inaugurada em abril do ano passado.

Na época, a economia já mostrava sinais de desaceleração. Enquanto a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) piorava, a taxa básica de juros, até então no patamar mínimo histórico de 7,25%, recomeçava a subir para conter a inflação. No entanto, o cenário não afetou os negócios de Bruna. No primeiro mês de vida, o faturamento da loja surpreendeu ao ultrapassar os R$ 10 mil. Hoje, o montante mais que dobrou e contempla uma média mensal de R$ 24 mil.

Para o diretor superintendente do Sebrae-SP, Bruno Caetano, as incertezas na economia que tanto preocupam o mercado financeiro não afetam o pequeno empresário, que tem boa parte do faturamento proveniente da venda direta ao consumidor. "Neste contexto, fatores como a manutenção da renda e baixa taxa de desemprego blindam os pequenos negócios das turbulências", disse.

A taxa de desemprego em janeiro ficou em 4,8%, a menor para o mês em 12 anos. Enquanto o rendimento médio dos trabalhadores com carteira assinada se mostrou estável em R$ 1.930.

"O cenário macroeconômico conturbado traz cautela para o potencial empreendedor, que não desiste de abrir o negócio, mas busca muito mais informações antes de investir", afirmou a consultora de negócios Beth Penteado, que há mais de uma década orienta pequenos empresários. Foi exatamente esse o comportamento de Bruna antes de bater o martelo sobre a localização do pet shop.

"Fiz uma detalhada pesquisa de mercado nos arredores do local que pretendia alocar o negócio para ter certeza que havia demanda. Verifiquei ainda a qualidade e custo dos serviços prestados por lojas semelhantes. A conclusão foi que o bairro carecia de veterinários que realizassem procedimentos mais complexos. E esse foi o nosso grande diferencial, pois montamos um pequeno centro cirúrgico para suprir essa demanda", afirmou a empresária.

O sucesso do negócio, no entanto, não significa que o empresário deve somente deixar o barco fluir. "Este promete ser um ano difícil, pois há expectativa por aumento da concorrência. O ideal é que o empresário busque sempre se diferenciar para manter o nível de faturamento", afirmou Caetano, que destaca a importância da inovação. "É preciso desmistificar a percepção de que inovação é um conceito reservado às grandes empresas de tecnologia. Inovar no pequeno negócio significa melhorar o serviço e o processo produtivo para conquistar novos clientes", disse.

Na loja de Bruna, o recado foi entendido. As datas comemorativas têm sempre eventos especiais. "No dia das mães, por exemplo, chamei consultoras de beleza para montar um mini salão de beleza para as ‘mães' enquanto os animais passavam por banho e tosa. Isso aumentou a procura pelo serviço. No Dias das Bruxas, programei um desfile de cachorros com as roupas que vendo na loja, o que aumentou o faturamento", afirmou a proprietária.

Oportunidade

A terceira edição da Feira do Empreendedor começa neste sábado e vai até terça-feira, em São Paulo. O evento, organizado pelo Senac, oferece orientações para os futuros empreendedores e também para os empresários que desejam melhorar suas atividades.

Para aqueles que buscam uma oportunidade de negócio, o setor de serviços é o mais promissor. "Os segmentos de beleza, estética e alimentação são os mais atraentes, pois têm apresentado taxas de crescimento acima da média", disse Caetano.

Em relação à localização, Beth aconselha a escolha de regiões fora dos centros urbanos. "As melhores oportunidades estão em cidades que já receberam ou vão receber grandes indústrias. Em Minas Gerais, os municípios de Patrocínio, Conselheiro Lafaiete ou Pouso Alegre são opções. No Mato Grosso, existem diversos polos de desenvolvimento. E no interior de São Paulo, ainda tem muita oportunidade", afirmou.

 

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