Em Setembro a comunidade de Caxias do Sul adere à campanha de Prevenção e cuidado ao Suicídio.  

Sancionado em 2017, o projeto de lei 49/2017 tem por objetivo trazer o debate sobre esse assunto, que ainda é um tabu em nossa sociedade. Por meio de ações públicas e sociais incentiva-se a reflexão coletiva sobre o suicídio, além de informar e orientar a população sobre redes de apoio e onde buscar auxilio. Informar a população é um instrumento importante para auxiliar a reduzir os altos índices de tentativas e concretização do ato suicida.

Uma das causas atrelada às tentativas de suicídio e/ou automutilações é a depressão. Esta, por sua vez, pode ser compreendida erroneamente pela sociedade como “falta de vontade, de não ter o que fazer, vagabundagem, etc....”.

 Na realidade, a depressão é uma doença genética e neuroquímica que resulta em um desequilíbrio químico orgânico no indivíduo. Por isso, recomenda-se o acompanhamento psiquiátrico e psicológico. O uso de medicamentos auxilia o indivíduo a se reestabelecer quimicamente e a psicoterapia proporciona que o indivíduo identifique gatilhos e desenvolva estratégias de enfrentamento para lidar com a doença.

A tentativa de suicídio é um grito de socorro e demonstra a dor extrema e o sofrimento intenso que a pessoa está vivenciando. Essa vivência tão dolorosa faz com que o indivíduo, se sentindo sozinho, desamparado, isolado, imerso em sua dor, angustia e solidão, pense na possibilidade de tirar a própria vida. No entanto, seu objetivo não é a morte do corpo físico e sim acabar com a dor e sofrimento que lhe atormenta.

É preciso estarmos atentos aos comportamentos e falas dos nossos semelhantes, familiares e amigos.  Grupos de apoio, seja amigos ou familiares, se mostram ferramentas eficientes durante e após o processo psicoterápico. Eles se estruturam como uma rede de apoio a quem esses indivíduos podem recorrer em momentos de necessidade.

A escuta sem julgamentos pode vir de qualquer pessoa e em qualquer lugar, basta que tenhamos a sensibilidade de olhar para o outro ser humano e que consigamos pôr em prática a empatia.

 

Fabiana Mezzomo de Souza – Psicóloga – CRP 07/27256