Retrospectiva 2013

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Relembre os fatos mais marcantes do ano na política e na economia no Brasil e no mundo

As manifestações se espalharam pelas principais cidades do país em junho. O estopim foi a campanha do Movimento Passe Livre contra o aumento de R$ 0,20 nas passagens de ônibus de São Paulo. Com pautas difusas, as manifestações foram marcadas pela ausência de lideranças, pela comunicação em redes sociais e ainda pelo surgimento do Mídia Ninja e dos grupos de black blocs. Depois dos protestos, metrópoles como São Paulo e Rio cancelaram os reajustes de ônibus. (Foto: Tasso Marcelo/AFP)

 

 

 

O Supremo Tribunal Federal (STF) condenou 25 réus no processo do mensalão, entre políticos, executivos de banco e publicitários. No feriado da República, em 15 de novembro, o presidente do STF, Joaquim Barbosa, pediu a prisão de parte dos condenados e os levou de São Paulo e Belo Horizonte para o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, em uma ação considerada controversa por juristas. Alguns foram condenados à prisão em regime semi-aberto. Entre os que não receberam pena alternativa, apenas o deputado João Paulo Cunha (PT-SP) não está detido. O ex-diretor de marketing do banco Brasil Henrique Pizolatto fugiu para a Itália, onde tem cidadania. (Foto: Evaristo Sá/AFP)

 

 

O cartel de licitações de trens e metrô do estado de São Paulo descoberto pelo Ministério Público envolve as multinacionais Alstom e Siemens e atingiu o PSDB, entre eles dois secretários do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, José Anibal (Energia) e Edson Aparecido (Casa Civil). Rodrigo Garcia, secretário de Desenvolvimento Social, do DEM, também está sob investigação. Os três são deputados federais licenciados. O caso foi parar no STF, sob a relatoria do ministro Marco Aurélio Mello. Um dos citados no inquérito é o deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP), que possui foro privilegiado. (Foto: Kriztian Bocsi/Bloomberg e Yasuyoshi Chiba/AFP)

 

 

Ex-ministros do governo Lula, a ex-senadora Marina Silva e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, uniram forças para a disputa presidencial de 2014. Abrigada pelo PSB depois de o TSE não conceder registro ao seu partido, o Rede, Marina abriu mão de ser cabeça na eventual chapa, mas ainda não decidiu se vai ser vice. Entre o ambientalismo de Marina e o desenvolvimentismo de Campos, o PSB ainda colhe sugestões para fechar um programa de governo. O PSB deixou cargos no governo Dilma e tem se aproximado do senador mineiro Aécio Neves, possível candidato pelo PSDB para concorrer à Presidência. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)    

 

 

Em seu último ano de mandato, a presidenta Dilma Rousseff enfrentou manifestações nas ruas, inflação alta, juros em elevação e o crescimento da economia em desaceleração. Candidata do PT à reeleição em 2014, Dilma recuperou a popularidade e, segundo as pesquisas eleitorais mais recentes, ganharia a disputa. Contam a seu favor o desemprego em baixa (em novembro, o IBGE registrou o menor nível de desocupação no mercado de trabalho) e o consumo interno resistente. (Roberto Stuckert Filho/Presidência da República)

 

 

 

O império de Eike Batista ruiu em 2013. A OGX, empresa de petróleo do empresário, e a OSX, da área naval, pediram recuperação judicial em outubro para evitar a falência. Eike acumula dívidas de bilhões de reais com credores estrangeiros e nacionais, como o banco de fomento federal BNDES, e causou prejuízos bilionários no mercado de ações. De exemplo nos negócios, Eike passou para o extremo oposto. Foi apontado pela revista Forbes como uma das carreiras mais desastrosas do mundo. O ex-bilionário é ainda alvo de ações judiciais por parte de investidores minoritários da OGX e pode ser investigado em CPI a ser aprovada na Assembleia Legislativa do Rio. (Foto: Frederic Brown/AFP)

 

 

Depois da surpeendente renúncia do papa Bento XVI, o papa Francisco tornou-se em março a liderança da Igreja Católica. Argentino, Francisco é o primeiro papa nascido no continente americano e tem como principais desafios os escândalos de pedofilia e as suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro pelo Banco do Vaticano. Em junho, Jorge Mario Bergoglio visitou o Brasil durante a Jornada Mundial da Juventude, no Rio. Contra o aborto, a eutanásia e o casamento entre pessoas do mesmo sexo, seus discursos têm forte apelo por justiça social. De hábitos simples, ao completar 77 anos, convidou quatro moradores de rua para comemorar a data. (Foto: Nelson Almeida/AFP)

 

O ex-funcionário da Agência de Segurança dos Estados Unidos e da CIA Edward Snowden revelou ao mundo a dimensão da espionagem americana sobre governos e cidadãos de todo o planeta. Antes de revelar os primeiros documentos sigilosos, fugiu para Hong Kong, onde esperava obter asilo político. Por pressão de autoridades americanas, não teve sucesso. O ex-agente foi para a Rússia e ficou mais de um mês na zona de trânsito no aeroporto internacional de Moscou até conseguir asilo político temporário. Recentemente, ele pediu asilo ao Brasil por meio de campanha na internet. O governo brasileiro não se pronunciou porque não recebeu notificação formal. O governo dos EUA apresentou acusações formais contra o ex-agente pelo vazamento de dados secretos sobre os detalhes do projeto de monitoramento global, em conversas telefônicas e transmissões na internet. Snowden também foi acusado de espionagem, roubo e transferência de propriedade do governo.  (Foto: The Guardian/AFP).

O líder sul-africano Nelson Mandela morreu aos 95 anos em 5 de dezembro, depois de enfrentar uma infecção pulmonar recorrente. Ícone da luta contra o apartheid, regime de segregação racial que vigorou entre 1948 e 1994 em seu país, Mandela ficou preso durante 27 anos. Mandela tornou-se o primeiro presidente da África do Sul democrática e multirracial, em 1994. Um ano antes, foi agraciado com o Prêmio Nobel da Paz. Inicialmente, Mandela foi um líder revolucionário que pegou em armas. Após a prisão, adotou uma atitude conciliadora. Eleito presidente, instituiu a Comissão da Verdade e Reconciliação, cujo objetivo era apurar os fatos ocorridos durante o apartheid, mas sem implementar medidas de punição. O seu funeral contou com mais de 90 chefes de Estado, entre eles, a presidenta Dilma Rousseff, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o presidente de Cuba, Raúl Castro. Sua vida inspirou a produção de inúmeros filmes, livros e músicas pelo mundo. (Foto: Odd Andersen/AFP)

 

 

A PEC do Trabalho doméstico foi aprovada no Congresso em março e equiparou os direitos trabalhistas da categoria aos dos demais trabalhadores do país. Parte da regulamentação ainda depende de aprovação da Câmara para seguir para sanção presidencial. Empregadas e demais trabalhadores domésticos passaram a ter jornada de 8 horas diárias e 44 semanais, adicional noturno, hora extra, FGTS, seguro-desemprego, seguro acidente do trabalho, carteira de trabalho assinada, 13º salário, repouso semanal, férias, estabilidade e licença por gravidez, licença-paternidade, auxílio-doença do INSS, aviso prévio e aposentadoria. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

 

As grandes potências e o Irã chegaram a um acordo histórico sobre o programa nuclear de Teerã, a "primeira etapa" para um pacto mais amplo. Após mais de cinco dias de negociações em Genebra, o Irã e o Grupo 5+1, composto pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, China e Rússia) mais a Alemanha, anunciaram o compromisso de limitar o programa nuclear iraniano em troca de um alívio das sanções econômicas. Com validade de seis meses, o acordo foi considerado como um "sucesso" pelo guia supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e uma "primeira etapa importante" pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. (Foto: Fabrice Coffrini/AFP). 

 

 

O diplomata brasileiro Roberto Azevêdo foi eleito diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) em uma disputa acirrada. Primeiro latino-americano a dirigir a OMC, o embaixador assumiu o cargo em agosto, com apoio dos países dos Brics (Rússia, Índia, China e África do Sul), de língua portuguesa, latinos, asiáticos e africanos. Azevêdo era representante permanente do Brasil na OMC desde 2008 e há mais de 20 anos está envolvido em assuntos econômicos e comerciais. Chefiou o Departamento Econômico do Ministério das Relações Exteriores e a delegação brasileira nas negociações da Rodada de Doha sobre a liberalização do comércio. No discurso de estreia na OMC, Azevêdo disse ser essencial dar novo fôlego às negociações de Doha, por meio de um multilateralismo contra o protecionismo, e prometeu dar voz aos países em desenvolvimento e menos desenvolvidos. (Foto: Alain Grosclaude/AFP)

 

A maior reserva estimada de petróleo do Brasil, o Campo de Libra, na camada do pré-sal, foi leiloada pelo governo em outubro. Um único consórcio –  formado pela brasileria Petrobras, pela anglo-holandesa Shell, pela francesa Total e pelas chinesas CNPC e CNOOC – arrematou a área de exploração e ofereceu a taxa mínima de retorno prevista à União. O consórcio pagou R$ 15 bilhões como bônus de assinatura e fará investimento inicial de R$ 610,9 milhões. A licitação ocorreu sob manifestações e 26 liminares judiciais contrárias à participação estrangeira no negócio. Petroleiros entraram em greve. Localizada na Bacia de Santos a 170 quilômetros da costa e a 7 mil metros abaixo do nível do mar, a área de Libra tem reserva de 8 bilhões a 12 bilhões de barris e deve produzir o equivalente a 70% do volume produzido atualmente no país. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

 

 

A economista Janet Yellen será a primeira mulher a dirigir o Fed, o banco central americano, a partir de 2014. Indicada por Barack Obama, é vista como mais preocupada com o desemprego do que com a inflação. Yellen subiu todos os escalões do Fed. Foi diretora do Fed em 1994 por indicação do então presidente Bill Clinton e, em 1997, tornou-se chefe da assessoria econômica da Casa Branca até 1999, em substituição a Joseph Stiglitz. Voltou ao Fed em 2004, onde presidiu o braço regional de São Francisco até 2010, quando chegou à vice-presidência do Fed. Tornou-se uma das maiores aliadas da política monetária de Bernanke. "A redução do desemprego deve estar no centro das ações", diz. (Foto: Brendan Smialowski/AFP)

 

A falta de acordo entre republicanos e democratas sobre o orçamento paralisou o governo americano em 1º de outubro 2013, pela primeira vez em 17 anos. O shutdown americano durou 17 dias e atingiu 800 mil funcionários públicos considerados não essenciais, que ficaram em casa sem receber salário. Parques nacionais, museus e até a estátua da Liberdade ficaram fechados. A razão da paralisação foi o "Obamacare", reforma do sistema de saúde aprovada no primeiro mandato de presidente dos EUA. O Partido Republicano era contrário ao programa. Um acordo para o orçamento foi fechado no último dia do prazo, antes que o país declarasse default aos seus credores. (Foto: Jewel Samad/AFP)

 

 

A ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher morreu em abril, aos 87 anos, depois de sofrer um derrame. A Dama de Ferro morreu em um quarto do hotel Ritz de Londres, onde morava temporariamente. Única chefe de governo mulher que o Reino Unido teve, Thatcher suscitava tanto admiração como ódio. Ela permaneceu no cargo durante 11 anos, entre 1979 e 1990, um recorde de sobrevivência política em seu país desde o começo do século XX. Mais de duas décadas depois, o seu legado – a implacável defesa do conservadorismo político e do liberalismo econômico – divide os britânicos. Sua trajetória foi marcada pela autodeterminação para impulsionar a liberalização econômica dos anos 80 e a resistência às pressões contrárias do restante da Europa, pelo envio da Marinha britânica às Ilhas Malvinas para combater tropas argentinas em 1982 e ainda pela intransigência com o grupo IRA na Irlanda do Norte.(Foto: Chris Harris/AFP)

 

Hugo Chávez morreu em março, aos 58 anos, depois de 14 anos como presidente da Venezuela. Seu sucessor, Nicolás Maduro, foi reeleito depois. A luta contra o câncer impediu Chávez de tomar posse em janeiro para um terceiro mandato de seis anos. Chávez utilizou as imensas reservas de petróleo de seu país para transformá-lo no grande impulsionador da integração latino-americana e promoveu alianças que serviram para desafiar os EUA. Defensor da Líbia, Síria e Irã em momentos em que o Ocidente os sancionava ou invadia, Chávez defendia uma "nova ordem social", na qual não cabia a hegemonia americana.Ex-militar influenciado pelas ideias de esquerda, Chávez dizia ser o continuador de Simón Bolívar, que queria unir a América Latina em uma única pátria. Delegações de 54 países participaram de seu funeral, incluindo a maioria dos líderes da região e do Caribe, entre eles a presidenta Dilma Rousseff, o ex-presidente Lula e o iraniano Mahmud Ahmadinejad. (Foto: Luis Acosta/AFP)

 

Sucessor de Chávez, o presidente da Venezuela, Nicolás Mauduro, ganhou plenos poderes do Congresso em outubro para governar por decreto durante um ano nas áreas econômica e de combate à corrupção. Com isso, determinou a prisão de comerciantes que remarcassem preços e limitou o lucro de empresas. Já a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, perdeu popularidade ao longo de 2013, ano em congelou preços, pediu a devolução das Malvinase aumentou impostos de carros, barcos e aviões de luxo. Ela recuperou-se em 2013 da retirada de um coágulo no cérebro. (Fotos: Juan Mabromata/AFP e Leo Ramirez/AFP)

 

 

Por 16 votos a favor e 13 contra, o Senado uruguaio aprovou a Lei da Maconha em dezembro, um projeto do presidente José "Pepe" Mujica. O país sul-americano será o primeiro do mundo a legalizar produção, venda e consumo da marijuana. Antes, apenas o consumo era legalizado. A nova lei pretende criar uma alternativa à guerra contra as drogas. Mujica quer que o Estado regule o comércio e o uso da droga. O governo vai distribuir licenças para o cultivo de até 40 hectares de marijuana, para pesquisas científicas, indústria e consumo recreativo. Os consumidores registrados poderão comprar até 40 gramas por mês em farmácias a preços inferiores aos do mercado negro. Também será permitido plantar até seis pés de maconha em casa. (Foto: Daniel Caselli/AFP)

 

 

O ex-primeiro-ministro da Italia Silvio Berlusconi, líder da direita italiana há duas décadas, foi expulso do Senado em novembro, em uma decisão histórica que representou a perda de sua imunidade parlamentar. O magnata das comunicações de seu país dirigiu a Itália por quase 10 anos. Sua família controla três canais de televisão, jornais, uma editora e o time de futebol Milan. Berlusconi foi condenado pelo Tribunal Superior a quatro anos de prisão por fraude fiscal. Três deles foram suprimidos por anistia e o ano restante deve ser cumprido por meio de trabalhos à comunidade a partir de 2014. O ex-premiê também ficou impedido de se candidatar nas eleições italianas e europeias nos próximos seis anos. "Fui submetido a 57 processos, uma verdadeira perseguição que nenhum líder político teve de enfrentar", disse. Vários julgamentos ainda o esperam, entre casos por suborno e prostituição de menores.  (Foto: Filippo Monteforte/AFP)

 

 

O dono da Amazon, Jeff Bezos, fechou a compra do jornal Washington Post por US$ 250 milhões. O jornal que revelou o escândalo de Watergate nos anos 70 tem enfrentado a concorrência crescente das informações pela internet. Criado há 136 anos, o "Post" era controlado há oito décadas pela família Meyer-Graham. Assim como as outras publicações do grupo, o jornal foi transferido ao Nash Holdings, um fundo de investimentos de Bezos. (Foto: David Ryder/GettyImages-AFP)

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