Spotify elege a pirataria como a sua principal rival no país

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Após um longo período de espera e de especulações, o Spotify — um dos serviços pioneiros de assinatura de música via streaming pela internet — anunciou ontem sua chegada ao mercado brasileiro. O país é a 18ª operação da companhia na América Latina e o 57º mercado no qual o serviço está disponível.Com o lançamento no Brasil, a empresa vai acirrar a disputa em um mercado que, desde 2011, vem atraindo operações locais de serviços similares como a Rdio, o Deezer e, mais recentemente, o Napster. Mas o foco inicial para ganhar escala no país está em outra frente.

“O mercado de streaming no Brasil ainda é muito pouco desenvolvido e nosso principal competidor é a pirataria. O fato de termos outros ‘players’ sérios que já estão por aqui é muito positivo, pois eles ajudam a desenvolver esse mercado. A indústria ainda tem muito a fazer para que as pessoas conheçam esse modelo”, afirmou Gustavo Diament, diretor do Spotify para a América Latina. “Queremos a liderança do mercado, mas nosso trabalho é aumentar a torta como um todo”, acrescentou.

Serviços como o Spotify são vistos como a tábua de salvação para a indústria da música, o primeiro mercado de entretenimento a sofrer os impactos da ascensão da internet e das mudanças de hábito dos consumidores, na virada do século.“Em pouco mais de cinco anos, pagamos mais de US$ 1 bilhão em direitos autorais à indústria, sendo que metade desse montante foi em 2013”, disse Diament.

O Spotify chega ao Brasil com duas alternativas para o acesso a mais de 30 milhões de músicas. O primeiro é gratuito e permite ouvir todo o acervo em qualquer dispositivo. Nesse formato, a receita do serviço vem da publicidade. No país, a empresa já fechou acordos com Fiat, LG, Unilever, Heineken e Nivea. 

Disponível inicialmente por US$ 5,99 e com previsão de disponibilidade, em breve, por R$ 14,90, o segundo modelo traz a possibilidade de baixar músicas para ouvir offline e a não veiculação de anúncios. Globalmente, o Spotify possui 40 milhões de usuários ativos, sendo que mais de 10 milhões pagam pelo serviço. Diament não revelou as projeções para o mercado brasileiro. Ele disse, porém, que durante o período de testes no Brasil, mais de 400 mil pessoas fizeram um pré-cadastro no serviço.

Para ganhar escala aqui, a estratégia envolve ações de marketing, localização da estrutura de suporte e de curadoria, personalização da oferta e a aposta na própria disseminação do serviço entre os fãs de artistas brasileiros presentes no Spotify. Paralelamente, as equipes comerciais da empresa vão trabalhar junto às agências e anunciantes para consolidar o serviço como uma plataforma de relacionamento com as marcas, afirmou Diament.

Questionado sobre a invasão de hackers aos seus sistemas, informada pela própria empresa na terça-feira, o executivo destacou apenas a política de transparência adotada pela companhia. “Essa conduta nos aproxima dos usuários. Não acredito que esse acontecimento trará qualquer impacto na adesão dos brasileiros à plataforma”, afirmou.

Assim como o Spotify, o brasileiro Pleimo também está expandindo suas operações internacionais. Lançado no fim de 2013, o serviço de streaming já conta com cerca de 300 mil usuários em mais de 100 países. O modelo, no entanto, difere do Spotify. “O artista está no centro e toda a receita do serviço passa por ele”, diz Dauton Janota, criador do Pleimo.

Sob essa visão, mais voltada à produção independente, os artistas pagam uma taxa mensal de 29,90 e têm acesso a uma plataforma pela qual podem divulgar seu trabalho, o que inclui, além do streaming, a possibilidade de venda de ingressos de shows e de merchandising, entre outros serviços. Ao mesmo tempo, os usuários pagam uma taxa mensal de assinatura e escolhem, a cada mês, para qual artista querem destinar 20% desse valor. Nesta semana, o Pleimo lançou o serviço em Portugal e está desenvolvendo uma série de ações no Rock in Rio Lisboa, o que inclui a distribuição de códigos de acesso gratuitos.

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