É possível comprar bebidas e óculos com bitcoins no Brasil

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Embora ainda poucos estabelecimentos aceitem a moeda virtual, popularização deve ocorrer no país em 2014

São Paulo – Pagar a conta do bar com uma moeda digital representada por um código no celular pode parecer trecho de filme de ficção científica. Mas em Florianópolis, no Caracol Hostel, a cena aconteceu dezenas de vezes nos últimos dois meses. O estabelecimento é um dos poucos no Brasil que aceita receber o pagamento pelos seus produtos e serviços em bitcoins.

"No começo, aceitei a moeda apenas para a conta das bebidas. Mas há duas semanas, abri essa opção também para o serviço de hospedagem", contou a proprietária do hostel, Maria Carolina Lucena. Por meio de um programa instalado no computador, a conta do cliente em reais é convertida para bitcoins e um código é gerado. O cliente tira uma foto desse código com seu smartphone e libera a transferência da quantia da sua carteira de bitcoin para a carteira do estabelecimento. A transação, que dura em média dez minutos, está concluída.

Em São Paulo, o bar e bicicletaria Las Magrelas aceita a moeda virtual desde abril. Mas não houve tanta demanda quanto no Sul do país. "Até hoje fizemos no máximo cinco transações desse tipo. Implantei a novidade motivada pela ideologia de alguns amigos programadores. Estou fazendo a minha parte para disseminar a ideia", afirmou a proprietária do bar, Talita Noguchi.

A mesma motivação levou o gerente da Ótica Econômica, em Recife, a aceitar a moeda. O sistema foi implantado há duas semanas, para atender à demanda do Natal. Até a última quarta-feira, nenhuma transação havia sido feita. "A expectativa é de um pagamento desse tipo a cada três meses, pois aqui, no Nordeste, as pessoas ainda não conhecem a novidade. Ainda assim estou fazendo a minha parte para divulgar. Acho importante oferecer essa opção para os clientes, pois é uma tendência mundial", pontuou o gerente, Felipe Monteiro.

Se aqui no Brasil essa forma de pagamento ainda é pouco disseminada, na Europa, Estados Unidos e Austrália, muitos estabelecimentos já oferecem tal opção. Grandes redes de franquias como o Subway, incentivam os proprietários a aceitar bitcoins. É possível pagar por um sanduíche com a moeda virtual em Los Angeles, nos EUA, ou na capital da Eslováquia, em Bratislava.

Na avaliação do pesquisador da Mandalah Ralph Peticov, que estuda a utilização da moeda virtual no Brasil há seis meses, a popularização do bitcoin deve ganhar força no país no próximo ano. "O brasileiro é apto a aceitar novidades. Acreditamos no potencial da moeda, mas o principal entrave é a usabilidade. Não é prático demorar quinze minutos para comprar uma cerveja", disse.

Volatilidade

A moeda virtual já existe desde 2008, mas ganhou notoriedade somente neste ano diante da preocupação e reconhecimento de alguns governos em relação à sua utilização. Sua cotação varia de acordo com boatos e notícias, assim como acontece com a variação no preço do dólar e das ações de empresas.

No entanto, por se tratar de uma moeda virtual descentralizada – que não está atrelada a nenhum banco central – o sobe e desce no preço é mais intenso. Em janeiro, um bitcoin valia US$ 13. Há dez dias do fim do ano, está em cerca de US$ 626. O pico de valor aconteceu em meados de novembro, quando a cotação bateu, pela primeira, US$ 1 mil. A disparada aconteceu após o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, afirmar que moedas alternativas como essa "podem ser uma promessa no longo prazo".

A declaração foi feita em uma carta para o congresso americano, que discutia os possíveis perigos da utilização de uma moeda que não é controlada por um banco emissor. No entanto, por fim, o Departamento de Justiça americano reconheceu o bitcoins como "um meio legal de troca" no país. A Alemanha, em meados de agosto, também reconheceu o bitcoin como moeda privada.

Na contramão desses países, na última semana, o Banco do Povo da China proibiu as instituições financeiras a negociar com bitcoin, por considerar a moeda um risco para o sistema. Embora não sejam controladas por um banco emissor, existe um número limitado de bitcoins em circulação no mundo, de 21 milhões. Até hoje, foram criados pouco mais da metade desse limite, 12 milhões de unidades. A variação do preço da moeda daqui para frente é um mistério.

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