Dirceu Bayer, presidente da Languiru, discute metas da empresa para 2014

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O município brasileiro de Teutônia, com cerca de 28 mil habitantes, está situado no conhecido Vale do Taquari e a 120 km de Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul. A principal atividade econômica regional está concentrada no setor agropecuário, com um alto número de empresas dedicadas à proteína animal.

É precisamente esse município que viu nascer a Cooperativa Languiru, ativa na produção de aves, suínos e leite. A empresa foi fundada em 1955 por 174 agricultores, que buscavam comercializar seus produtos agrícolas diretamente desde suas granjas. A cooperativa está bem posicionada até em outras áreas, contando atualmente com uma rede de supermercados, uma fábrica de ração animal e lojas Agrocenter, dedicadas à venda de ferramentas e máquinas agrícolas, insumos e bazar.

André Sulluchuco, jornalista e editor administrativo da CarneTec, visitou a sede administrativa da Cooperativa Languiru em Teutônia (RS). Leia, a seguir, a entrevista exclusiva concedida por Dirceu Bayer, presidente da cooperativa.

Me conte um pouco sobre a Cooperativa Languiru.

A Languiru é uma cooperativa com 5,2 mil associados. Eles são todos pequenos produtores, distribuídos numa área de cerca de 20 quilômetros da sede da cooperativa e nossas unidades industriais. A Languiru é extremamente diversificada, atuando na produção de frango, de leite e de suínos. Mesmo sendo uma cooperativa pequena em número de associados, conseguimos nos posicionar como a terceira maior cooperativa no estado do Rio Grande do Sul em faturamento. Isso se deve à diversificação das atividades e ao valor dado à matéria-prima. Temos uma gama muito grande de derivados dessas três áreas, produzimos mais de 500 produtos diferentes.

Além dessas três áreas, quais são os outros segmentos da cooperativa?

A Languiru conta com Fábrica de Rações, localizada no município de Estrela, um negócio forte. Também possui uma rede de supermercados, lojas Agrocenter para venda de máquinas, equipamentos e bazar. No Agrocenter Languiru, os associados, produtores e clientes em geral encontram uma grande variedade de equipamentos e ferramentas. É uma ideia diferente e em torno de 30% do faturamento vem dessa área, o que nos dá estabilidade. Quando um dos setores em que a Languiru atua passa por dificuldades, os demais equilibram o desempenho econômico da cooperativa. Assim, administramos com maior segurança. Hoje temos matrizeiros, incubatórios, supermercados, chegando a 23 negócios diferentes dentro da Cooperativa Languiru.

Reconheçamos que o consumo de carne bovina dentro do Rio Grande do Sul é muito alto. A carne bovina até faz parte dos pratos mais típicos do estado. Por que a cooperativa decidiu não produzir nem exportar carne bovina?

Sim, no Rio Grande do Sul predominam os consumidores de carne bovina, mas a Languiru não produz este tipo de carne. A cooperativa compra esse produto de fornecedores. As propriedades dos associados da Languiru são pequenas e, por isso, não oferecem área suficiente para criação de bovinos de corte. Há alguns anos, a Languiru contava com confinamento para a produção de carne, mas não obteve resultado satisfatório. Aqui predomina a raça holandesa, que não é a melhor raça para produzir carne. Os associados produzem carne, sim, mas para consumo próprio.

Quais são os maiores benefícios, segundo o senhor, de estar focado nessas três áreas de aves, suínos e leite?

É a diversificação das atividades. A Languiru e seus associados assimilaram bem isso, o que também contribui para que os jovens voltem ao campo. No Brasil, se fala que o produtor está ficando velho, cansado e que não tem inovacão. Aqui é o inverso. O jovem está voltando à atividade. A Languiru rejuvenesceu seu quadro social nos últimos cinco anos. O nosso produtor está ficando mais jovem, porque ele vê que a atividade remunera. Hoje, ele tem viabilidade econômica e maior acesso ao crédito rural. As instalações dos associados são bastante modernas e fazem com que o jovem se atraia por isso.

Quais são as atividades que a cooperativa realiza para que os jovens gaúchos continuem com as atividades do campo?

A Languiru remunera condignamente. Tem que ter esse atrativo. Ele precisa ganhar bem, ele precisa ter acesso à tecnologia e à modernidade. Acima de tudo, a Languiru possui contato direto com o produtor no dia a dia. A cooperativa tem uma equipe de técnicos, agrônomos e veterinários que se reúne com ele, na prestação de assistência técnica. Eles sempre motivam o produtor a fazer esses investimentos. Os índices de produtividade dos associados da Languiru são muito bons. O produtor está satisfeito, e com isso, ele reinveste.
Quais fatores contribuem para o sucesso da Cooperativa Languiru?
O sucesso da Languiru está na diversificação, pois agrega valor aos segmentos de aves, suínos e leite com suas indústrias. Além disso, numa cooperativa, o associado participa do resultado. Quando a cooperativa tem sobras, estas sobras retornam aos associados, possibilitando novos investimentos nas propriedades rurais. Quanto maior a participação do produtor na cooperativa, comprando mais ou vendendo mais, maior o retorno do exercício quando existem sobras.
Me fale sobre as dificuldades encaradas no ano de 2012. Foi um ano bastante difícil para as empresas de alimentos. Muitas delas fecharam as operações por muitos meses. Outras deram férias coletivas sem renumeração aos funcionários.

Algumas abriram falência. Como a Cooperativa Languiru superou os desafios daquele ano?

Foi um desafio muito grande. A cooperativa também foi afetada diretamente por uma seca no estado e por outros problemas climáticos. Para quem depende do milho e da soja, como a suinocultura, a avicultura e o leite, foi um ano muito difícil. O custo de produção se tornou muito alto. Os preços não reagiram de uma forma significativa. A Languiru teve prejuízos principalmente nos primeiros oito meses de 2012, os quais só não foram mais difíceis pela estabilidade dos outros segmentos, como supermercados, lojas Agrocenter e rações animais, que não sofreram impacto tão significativo da seca. Isso foi importante para nos manternos competitivos no mercado.

A partir de setembro de 2012, houve uma reversão e os preços melhoraram. O quadro mudou com a melhora dos preços e, ao final do exercício, a Languiru teve bons resultados. O primeiro semestre de 2013 foi muito bom para a Languiru, com melhores preços. E no mercado externo, houve uma valorização cambial no dólar, o que favoreceu quem exporta.

Como o senhor avalia o desempenho da cooperativa durante o ano de 2013?

Esse ano foi muito bom. Aquilo de ruim que tivemos em 2012, em 2013 tivemos de bom. Historicamente, 2013 foi o melhor ano para a Languiru. Os três segmentos estavam ruins em 2012. Mas já há uma perspectiva melhor porque o Brasil está exportando para a Ucrânia e isto nos favorece. Há uma reação nos preços do mercado interno.
No últimos anos, a Languiru investiu mais de R$ 150 milhões, modernizando as unidades industriais. Nós tivemos sustentação econômica e não tomamos decisões drásticas, pelo contrário, investimos em tecnologia. A Languiru teve incremento no segmento de aves, suínos e leite e hoje colhe os frutos dos investimentos e da dedicação de todos os associados e colaboradores.

Qual é a relação entre a Cooperativa Languiru e o Governo do Estado do Rio Grande do Sul, além de outras entidades governamentais, sejam elas nacionais ou internacionais?

O governador do estado esteve duas vezes na Languiru nos últimos dez meses. Na verdade, os recentes investimentos realizados foram possibilitados pelas parcerias que temos com as instituições financerias do estado. Ou seja, uma grande parte dos investimentos foi feita com o governo do estado. O relacionamento profissional com eles é muito bom.
A cooperativa também recebeu a visita do Ministério da Agricultura da Alemanha em missão oficial. Considerando as características germânicas da região, mantemos muito bom relacionamento com o Ministério da Agricultura daquele país. Na visita da ministra alemã, eles estiveram nas propriedades dos nossos associados para saber qual o segredo de uma cooperativa pequena ter todo esse faturamento. Nós também possuímos intercâmbio com eles no sentido de introduzir aqui a questão do biogás, inclusive com geração de eletricidade. Na verdade, temos técnicos de meio ambiente fazendo estágio na Alemanha. O relacionamento da Languiru com a Alemanha é muito intenso.

Como a Cooperativa Languiru determina se um produto está dando certo em um país importador? A cooperativa realiza pesquisas ou fala diretamente com os supermercados desses países para avaliar a aceitação do produto?

Nós temos uma trading que realiza essas exportações para a cooperativa. Essa empresa de Lajeado, município vizinho de Teutônia, participa de todas as principais feiras internacionais do setor e a Languiru atua principalmente nos Emirados Árabes. A Languiru também participa dessas feiras internacionais, como em Dubai, oportunidade para visitar clientes e fidelizar consumidores.

A Languiru produz 150 mil aves por dia e exporta cerca de 2 mil toneladas de carne de frango por mês. Eles querem importar muito mais volume do que somos capazes de produzir. Exportamos frango para o Iraque, para os países asiáticos, africanos, mas a concentração maior é naqueles países que fazem parte do mundo árabe.

Como vocês se destacam das outras empresas concorrentes do estado do Rio Grande do Sul?

Por 58 anos, a Languiru tem feito produtos de alta qualidade, itens novos e diferenciados. Isso caracteriza a marca da cooperativa. Aproximadamente 80% dos produtos Languiru comercializados no mercado interno ficam no estado e apenas 20% vão para os outros estados do Brasil. A cooperativa conseguiu atrair os consumidores pelo fato de produzir as três áreas: frango, suíno e leite. Isso auxilia quando visitamos os clientes, porque eles não querem apenas comprar um produto. Eles procuram dois ou três produtos diferenciados, e isso dá vantagens na área comercial à Languiru.

Quais são os projetos da Cooperativa Languiru daqui a 5 ou 10 anos?

O objetivo da cooperativa é atingir um crescimento de 15% a 20% por ano. Para isso, a Languiru precisa aumentar suas atividades, para que tudo cresça junto. Queremos fechar o ano de 2013 [entrevista concedida antes do fechamento do exercício] com faturamento de R$ 845 milhões. No passado, a Languiru enfrentou graves problemas porque as suas unidades estavam sucateadas, a cooperativa não conseguia mais modernizar a sua indústria. Por isso, foi necessário investir.

O cooperativismo tem muito a ver com o crescimento da Languiru. É a forma mais justa de estar em contato no dia a dia com o produtor, de se desenvolver socialmente e de forma sustentável. Com bom-senso e com humildade, você consegue ter bons resultados.

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