Sem-teto recebe R$31 mil de atrasados de benefício previdenciário.

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O morador de rua de Florianópolis, Valter Dias da Silva, de 76 anos, conseguiu por meio da Defensoria Pública da União (DPU) a restituição da aposentadoria e o valor retroativo aos anos em que o benefício lhe foi privado. Desde quarta-feira (24),  ele voltou a receber do Instituto Nacional de Previdência Social (INSS) um salário mínimo por mês e uma indenização de R$ 31 mil, segundo a DPU. Valter é funcionário público, aposentado em 1988, e há quatro anos e nove meses não ganhava o benefício. Natural de Rio do Sul, por quatro meses morou nas ruas de Florianópolis, até ser recebido no abrigo municipal Casa do Acolhido. A aposentadoria foi cortada pois ele ficou seis meses sem sacar o valor devido em 2009. Em 2010, o benefício foi retido pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS). Segundo a DPU, em uma ação extrajudicial, o órgão ainda está  tentando negociar com INSS 11 meses devidos de aposentadoria. Seu Valter já recebeu o depósito do valor retroativo, entretanto, segundo o coordenador da Casa de Acolhido, César Cruz, ele permanece no abrigo municipal até o final dos trâmites legais. “Nós iremos dar o apoio ao seu Valter até o final. Ainda faltam questões a serem julgadas. Ele tem uma saúde debilitada e conta com o nosso apoio para dar continuidade no tratamento de doenças. Ele ficará morando conosco para ter todos os auxílios necessários”, disse o coordenador. O homem foi recolhido em maio deste ano dormindo embaixo de uma marquise no Centro da capital catarinense e encaminhado para o abrigo municipal. No local, recebeu orientação para entrada em um pedido de auxílio-doença ao governo. Foi quando a recebeu a notícia: poderia solicitar a aposentadoria retroativa recorrendo à Defensoria Pública da União (DPU). De funcionário público a morador de rua Valter era casado e tem filhos, mas depois de se separar da mulher, perdeu o contato com a família. Enquanto trabalhava, Valter morava em Rio do Sul, mas depois de algum tempo aposentado se mudou para Florianópolis. Ele chegou a morar em uma casa alugada na capital, mas deixou o local apenas com uma mochila e um saco, que continham algumas camisetas e cuecas. Ele explica que não teria mais dinheiro para pagar o aluguel, pois estaria gastando muito com medicação para tratar uma doença. Valter espera que, com o dinheiro, poderá comprar uma casa. “Simples, até uma edícula, que parece um apartamento sob pressão. Vamos ver”, disse. “O que eu gostaria mesmo? Eu gostaria que um ser superior me desse mais saúde. Aí eu teria mais anos de vida para realizar algumas coisas que eu tenho em mente”, finaliza.



 

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