Sem bola de tênis ou máquina. Grêmio põe goleiros na seleção com ‘tradição’

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É impossível não perceber o preparador de goleiros do Grêmio. Um homem que mede 1,89m e pesa 100kg não passa despercebido por qualquer ambiente. Mas acima do porte avantajado de dar inveja a muito lutador de MMA peso pesado, o que salta aos olhos atualmente é o trabalho. Sob comando de Rogério Godoy, o Tricolor emplaca três goleiros na seleção brasileira. Léo já foi chamado para a sub-20 algumas vezes. Tiago foi convocado para a sub-21 pelo técnico Alexandre Gallo, e Marcelo Grohe é uma das apostas de Dunga na principal. 

E enquanto técnicas mirabolantes surgem dos quatro cantos do mundo, ele prefere o tradicional. Nada de bolinhas de tênis, máquinas que disparam bolas contra os goleiros ou métodos ainda mais estranhos. Os tiros partem dos pés do ex-goleiro de 43 anos e encontram os defeitos a serem corrigidos dos atletas do Grêmio. 
 
"A gente procura trabalhar no limite. Dentro dos treinamentos, impor dificuldades. E elas vão agregando para que tenhamos a oportunidade de defender nosso time da melhor maneira possível", contou ao UOL Esporte antes do treinamento gremista de terça-feira (18).
 
E tem dado resultado. O Grêmio tem a melhor defesa do Campeonato Brasileiro. Não bastasse isso, emplaca goleiros na seleção nacional repetidamente. A 'fábrica' é movida a muito esforço. "Nada supera o trabalho", repete Godoy, conhecido como Rogerião, por motivo óbvios.
 
Mas sempre no estilo tradicional. Criado no futebol do interior gaúcho, Rogério trabalhou em clubes como Avenida, Inter de Santa Maria, Aimoré, São José-RS, entre outros, e nas poucas aventuras fora dos campos do Sul esteve no Volta Redonda, Friburguense, Chapecoense e Sergipe. Entre os feitos como atleta, conquistas de divisões inferiores. E a formação no interior evita 'modernidades' na hora de preparar os goleiros do futuro. 
 
"Eu acho que tudo pode agregar ao trabalho. Eu não utilizo. Tenho outras maneiras de alcançar aquilo que estes outros objetos possam avançar. Eu prefiro usar a bola de futebol de campo. Mas cada um trabalha como quer. É interessante, deve acrescentar", disse. "Toda a atividade que é imposta pelo preparador tem um objetivo. Eu, graças a Deus, consigo fazer isso com a bola de futebol de campo. É claro que o goleiro trabalha uma velocidade de reação com estas bolas menores, e tem que ter destreza maior, afino maior da defesa para pegar este ponto de colisão que é bem menor. Mas eu gosto de trabalhar de uma forma convencional", completou. 
 
A seriedade imposta nas atividades é evidente. Marcelo, Tiago, Léo e Follmann [que vai para o Linense-SP no começo de 2015] sofrem. Treinos com chutes de perto, levantamentos e eventual uso de cones para atrapalhar a trajetória da bola. São os primeiros a pisarem no campo, os últimos a saírem dele. 
 

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