Oposição do Inter quer folha salarial de até R$ 15 mi e volta do time B

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Uma folha salarial turbinada para voltar a vencer e a retomada do chamado Inter B. Estes são os carros chefes da campanha de Vitório Piffero na disputa à presidência do Internacional. Candidato de oposição a atual gestão, o ex-mandatário defende que o elenco do clube seja reforçado e vai na contramão do discurso comum no país, que luta contra vencimentos altos e atrasos de salário.

Em entrevista ao UOL Esporte, Piffero usou a projeção de orçamento na monta de R$ 300 milhões para fazer o cálculo de sua possível folha salarial. Também admitiu que pode contar com Iarley, camisa 10 no Mundial de 2006, como integrante de sua gestão e avisou que quer reativar o time B para contratar promessas que não são tão jovens assim.

"O Internacional é um dos maiores clubes em faturamento no país, deve ser segundo ou terceiro nesta escala. E a relação entre faturamento e despesa de futebol tem que ser perto de 60%. Podendo variar para 70%, um pouco menos", disse o candidato.

Atualmente, a folha salarial do Inter gira perto dos R$ 9 milhões, informação não confirmada pelos dirigentes. Nilmar, D'Alessandro e Aránguiz são os principais nomes do grupo principal.

Presidente do Inter entre 2007 e 2010, Vitório Piffero se nega a cogitar nomes para o cargo de treinador, caso seja eleito. Mas também não descarta nenhuma opção. Entre os preferidos está Tite, técnico que ele faz força para dizer que não foi procurado.

"Não conversei com nenhum (técnico)…", afirmou antes de ser indagado se admitiria publicamente. "Obviamente que não (diria)", completou sorrindo.

Confira a entrevista completa de Vitório Piffero, candidato na eleição presidencial do Inter marcada para 13 de dezembro.

UOL Esporte: Já dá para avançar na busca por nomes, reforços, para o próximo ano? A vaga na Libertadores está encaminhada, muito perto de ser oficializada.

Vitório Piffero: É hora de aguardar a vaga, de esperar a confirmação. Mas obviamente que isto acontece, é natural. A pretensão de ser presidente faz com que surjam ofertas de jogadores e nós começamos a olhar, só na pretensão.

E a força tarefa, em sintonia com a outra chapa, para acelerar contratações?

Não. Neste momento temos que deixar o futebol do Internacional ter toda tranquilidade para levar o clube a Libertadores, é o que resta. Não evoluiu, não procuramos e também não fomos procurados.

A situação do Abel Braga é atípica. Ele já disse que gostaria de resolver o futuro o quanto antes e tem boa amizade com o senhor. Já houve uma conversa com ele?

Da mesma maneira que não falo de jogadores não falo de comissão técnica. Só para esclarecer, o Abel é meu amigo, mas não houve procura de parte a parte. No momento adequado podemos falar.

Este grupo tem uma faixa etária alta, muita gente perto dos 30 anos e com contrato longo. Ou seja, o Inter de 2015 será muito parecido com o de 2014. Como se trabalha com isto?

Temos jogadores da base surgindo, mas temos que incrementar esta questão. Melhorar a interlocução entre base e futebol profissional, aí entra o treinamento em conjunto dando experiência para os jovens e conhecimento para quem é de cima. O grupo tem que ser numeroso, com qualidade. E evidentemente que precisamos trazer jogadores que componham o grupo, mas que readecuem a faixa etária média. Não se faz um time só com guris e nem só com jogadores de 30 anos. No vestiário é preciso ter dois times, dois times completos.

UOL Esporte: O senhor já deu uma declaração de que futebol não é barato, que a folha não pode ser pequena. Ao mesmo tempo, vários clubes no país enfrentam dificuldades financeiras e lutam para reduzir os gastos. Qual o raciocínio da sua chapa sobre isto?

Vitório Piffero: Primeiro lugar: qual é o tamanho do Internacional? O Internacional é um dos maiores clubes em faturamento no país, deve ser segundo ou terceiro nesta escala. E a relação entre faturamento e despesa de futebol tem que ser perto de 60%. Podendo variar para 70%, um pouco menos. Se o Inter pretende faturar R$ 300 milhões em uma temporada, 60% dá R$ 180 milhões e isto gira em torno de R$ 15 milhões de despesa mensal no futebol. É isto aí, temos que contratar bem e vender bem para o clube faturar os R$ 300 milhões.

Vender bem até que a gestão atual vendeu bem. O Leandro Damião é o caso mais emblemático, foi para o Santos rendendo R$ 42 milhões.

Nós crescemos desde 2004 assim, vendendo e comprando. Nós vendemos e ganhamos títulos, nesta gestão faltaram os títulos. Eu deixei o Oscar, o Damião, o Moledo no Inter…

UOL Esporte: O Leandro Damião traz à tona uma questão pertinente. Ele surgiu no chamado Inter B e depois foi promovido, mas o projeto acabou sendo abandonado pouco tempo depois. Que tipo de ideia o senhor tem sobre isto?

Piffero: Todos estes jogadores passaram pelo Inter B e disse isso ao Giovanni, já como presidente: se faltar dinheiro, vá ao Inter B e venda. Eles acabaram subindo para o time profissional, renderam e depois foram vendidos. A questão é a reposição, nós repusemos muitos jogadores pegando no Inter B. Depois ele foi extinto e chamado de sub-23, mas não foi extinto coisa nenhuma…

É que o time sub-23 limita a contratação a esta faixa etária. Wellington Monteiro, quando veio para o Inter, já tinha mais de 23 anos e chegou no time B. Não se encaixaria agora, por exemplo…

Eu acho que o sub-23 é só um nome para não chamar de Inter B, é como o CIEPS que foi mudando de nome. É a mesma coisa, não sei se tem esta restrição de passou dos 23 anos e vai para rua. É basicamente para dizer 'acabei com o Inter B'. Aquilo era uma fonte de recursos e desenvolvimento para os atletas. Nós vamos retomar o Inter B, só para ficar claro. O que diziam na época, de forma errada, é que o Inter B gastava R$  1,7 milhão por mês, mas era mentira. Toda a base gastava, se não me engano, R$ 1,2 milhão e isto dava R$ 14 milhões por ano. Toda a base, não só o Inter B, não souberam nem ler balanço. Disseram mentirosamente, usaram como artificio e fecharam o Inter B. Vamos retomar o Inter B, não muda nada chamar de Inter B ou sub-23, mas o conceito será resgatado: trazer jogadores em afirmação no futebol nacional e internacional. Um time satélite dentro do Inter.

UOL Esporte: O senhor tem falado muito com o Iarley, ele é citado como um possível integrante do departamento de futebol de sua gestão?

Piffero: Gosto muito do Iarley, talvez com ele eu tenha cometido um grande erro. Eu errei, usei uma frase ruim e depois liguei e pedi desculpas. A frase 'a fila anda' foi horrível (Nota da redação: dita na entrevista coletiva que anunciou a venda de Iarley para o Goiás, em 2008), mas falei com ele dois anos depois e ele disse que estava tudo bem. Falamos recentemente e quero contar com ele. Quero ter ele aqui conosco, em algum lugar. Tomara que ele aceite. Não sei onde, gosto dele e da figura dele. Da identificação dele com o clube e a seriedade. É uma pessoa a ser aproveitada, não sei onde.

O Inter pode ter uma comissão técnica fixa, com o treinador se adaptando ou pode receber o profissional com outros integrantes?

Existem dois tipos de treinadores: o que vem com uma equipe menor e outra maior. O ideal seria o treinador se adaptar, mas nem sempre isso é possível. Futebol é relação entre pessoas, é preciso compor. Se houver uma unanimidade, se corre o risco. Futebol não é pão, pão e queijo, queijo.

UOL Esporte: O seu departamento de futebol está definido? Pedro Affatato, ex-vice de finanças do clube, pode ser confirmado como vice de futebol, caso sua chapa vença a eleição?

Piffero: Com todo respeito, vou parodiar o nosso novo governador (José Ivo Sartori, eleito em outubro): só vai valer quando eu disser e antes disto, é só especulação. E não combato especulação. Passaram a dizer que iríamos demitir todos no Beira-Rio, mudar tudo nos consulados. É terrorismo, é terrorismo. Pode botar o nome que tu quiseres e no cargo que tu quiseres, não combato especulação.

O senhor conversou, nem que seja sobre clima, churrasco, família, com o Tite nos últimos tempos?

Não conversei com nenhum (técnico)…

UOL Esporte: Mas o senhor admitiria publicamente?

Piffero: (Risos) Obviamente que não.

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