Indústria se prepara para festejos de fim de ano

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Demandadas em larga escala no Natal, as aves especiais como perus e frangos geneticamente selecionados — os chamados frangões — estão na reta final de uma criação mais longa que a das aves comuns, cujo abate acontece aos 45 dias. Com ciclo 20 dias mais comprido e alimentação diferenciada para que a carne seja mais tenra e encorpada, elas custam até 50% a mais ao produtor. O investimento e a espera maior, contudo, são recompensadores tanto para avicultores quanto para indústrias. Apesar de a margem de lucro ser a mesma obtida com as aves comuns, de 4% a 5%, o presidente da Associação Gaúcha de Avicultores (Asgav), Nestor Freiberger, salienta que a arrecadação com as aves natalinas equivale a 30% do faturamento anual do criador gaúcho, que encerra nesta semana o abate para esta finalidade. Produção que começa a chegar aos supermercados.

Neste ano, conforme a Agas, essas aves custarão, em média, 20% a mais do que em 2013. Para a indústria, que fatura em média R$ 700 milhões por ano, o resultado obtido com a venda de aves natalinas equivale a 7% desse montante. “Se considerarmos que se trata de uma linha de produção vendida em apenas um dia, torna-se uma margem bem interessante. Diria até significativa”, analisa o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra.

Outro segmento que fatura com as festas de fim de ano, mais precisamente com a ceias de Ano-Novo, é a suinocultura. Nesta época, os produtores recebem de 10% a 15% a mais por animal, cujo peso de abate varia entre 100 e 120 quilos. Com ciclo de seis meses, a carne que será consumida na virada para 2015 começou a ser preparada em maio. Diferentemente das aves, contudo, na suinocultura não há seleção genética, substituição de espécie nem necessidade extra de cuidados.

De acordo com o diretor executivo do Sindicato das Indústrias de Produtos suínos do RS (Sips), Rogério Kerber, a demanda por carne suína para a ceia de Ano-Novo é 25% superior à média do ano inteiro. “Não dispomos de levantamento apontando o faturamento anual da indústria com a venda de carne suína, mas mesmo sem ter esse número, presumo que as vendas de fim de ano representem pelo menos 30% do total”, afirmou Kerber.

Jogo de cintura na linha produtiva
Diferentemente do comércio, que contrata funcionários temporários para dar conta do movimento no fim de ano, nos frigoríficos de aves e suínos — locais que exigem cuidados redobrados e movimentos precisos — a adoção desse expediente é financeiramente inviável. E de logística complicada, já que há necessidade de uma capacitação prolongada e falta mão de obra qualificada no ramo. Contudo, os 570 mil trabalhadores nas fábricas brasileiras do setor (220 mil nas de carne suína e 350 mil nas avícolas) não são sobrecarregados.

De acordo com o diretor executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Suínos (Sips), Rogério Kerber, o que ocorre é que as empresas fazem uma readequação. “É um trabalho muito técnico, que exige um treinamento de, no mínimo, 90 dias para poder executá-lo”, explicou. “Então, o que as indústrias em geral fazem é priorizar a produção de linhas especiais, em detrimento de outros que são do dia a dia”, completou. Entre os produtos priorizados nos frigoríficos de suínos nesta época do ano estão pernil, Tender, pernil temperado e sobrepaleta temperada.

O mesmo acontece nas linhas de produção da avicultura, alvo constante de fiscalizações do Ministério Público do Trabalho no Estado, que verificam o cumprimento de instruções normativas em vigor no país e visam garantir as condições de trabalho e saúde dos empregados. Conforme o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, muitos empresários têm de fazer “ginástica” para dar conta do movimento excedente nesta época, mas sempre respeitando a carga horária e o ritmo legal, frisa. “Os frigoríficos gostariam de contratar, mas não é possível. Então, o que fazem é programar a produção para atender essa demanda específica.”

No caso do frigorífico Agrosul Alimentos, de São Sebastião do Caí, a preparação para o atendimento da demanda de fim de ano começa com 120 dias de antecedência. De acordo com o diretor-presidente Nestor Freiberger, sem planejamento estratégico é impossível, para a indústria de carnes, fazer frente a este acentuado aumento de demanda. “Em setembro, quando os criadores recém estão iniciando o ciclo das aves especiais de Natal, começamos a incrementar os estoques de frangos comuns para dar prioridade total, a partir de novembro, a produção de perus e demais variedades de aves especiais consumidas no Natal”, relatou.

Fonte:  Agrolink

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