Cadeia do trigo debate formas de aumentar consumo

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Expandir o consumo e o plantio de trigo no Brasil, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, é o principal desafio da cadeia nacional do cereal. Esse é um dos temas debatidos na 3ª edição da Conferência Latino Americana de Cereal (LACC3), que acontece até quarta-feira (1º de abril), no ExpoUnimed, em Curitiba. Essa é a primeira vez que o evento acontece no Brasil.

“Estamos aqui para saber as tendências mundiais de demanda e montar esse quebra-cabeça da oferta”, contextualiza Maximiliano Permartiri, gerente comercial da empresa organizadora Granotec.

O consumo anual per capita de trigo no Brasil está na faixa de 45 quilos. A quantidade é metade da registrada na Argentina e países da Europa. De acordo com Marcelo Vosnika, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), problemas logísticos interferem diretamente no consumo brasileiro. “É mais barato trazer trigo dos Estados Unidos do que levar o grão cultivado no Sul para o Norte e Nordeste”, reforça Vosnika.

Ainda segundo o executivo, o baixo consumo dos brasileiros também está relacionado aos hábitos culturais da população. “No Norte e no Nordeste a mandioca é mais comum. Além disso, muitas pessoas estão deixando de consumir porque acham que o glúten [proteína presente no trigo] faz mal à saúde. Na verdade, a única restrição é para pessoas que têm intolerância ao glúten”, explica.

Para Concha Collar, pesquisadora do Instituto de Agroquímica y Tecnología de Alimentos (IATA), órgão ligado ao governo da Espanha, também acredita que a proteína tem sido, de certa forma, injustiçada nos últimos tempos. Os estudos de Collar “investiga” novas possibilidades, até para as pessoas que são de fato intolerantes ao glúten.

“É muito difícil imitar um produto que tem o trigo. Pra substituí-lo, temos que acrescentar outros componentes, vitaminas, minerais”, diz Concha. “Pesquisamos outros cereais, como milho, quinoa, sorgo. Eles são muito nutritivos, muito ricos, e não contêm glúten, mas por enquanto tem uma aceitação baixa ou moderada”, completa.

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