Situação do Inter fala em ‘craques’ garantidos e folha responsável em 2015

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Um Internacional com Aránguiz, D'Alessandro e Nilmar garantidos para disputa da Libertadores e com reforços que deixarão o time mais alto. Uma sequência do trabalho e, ao que tudo indica, a preferência por Abel Braga para o cargo de treinador. Estas são algumas das ideias de Marcelo Medeiros, candidato à presidência do Colorado pela atual gestão, que combate o plano de elevar a folha salarial – proposta defendida por Vitório Piffero, adversário na eleição do próximo dia 13.

Em entrevista ao UOL Esporte, Medeiros chegou a lembrar o projeto inicial de reforma do Beira-Rio, defendido por Vitório Piffero entre 2008 e 2010, para afirmar que a projeção de uma folha salarial perto dos R$ 15 milhões é utópica.

"O Vitório falou que construía um estádio com R$ 150 milhões e diz agora que a folha salarial pode chegar a R$ 15 milhões. São dois números que não ficam de pé. É perigosa essa conta. E além de tudo, é uma estratégia de mercado pouco inteligente", disse o atual vice de futebol. "Ele é um adversário que tem um passado importante, mas acho que o ciclo dele no clube já se encerrou", afirmou.

Com avô, tio e pai no rol de ex-presidentes do Colorado, Medeiros se mantém fiel a postura de não revelar seu treinador para 2015, em caso de vitória nas urnas. Defende Abel Braga com rasgados elogios e indica que o atual comandante tenha preferência. Confira a entrevista.

UOL Esporte: Como é disputar a eleição contra o candidato que tem o apoio de Fernando Carvalho?

Marcelo Medeiros: Ele tem o voto do Fernando Carvalho, mas o Fernando deu o apoio ao Movimento Inter Grande. Ele está em uma situação, está dividido, por ser criador do MIG e ser amigo do Vitório. Eu não vou cobrar nada do Fernando, mas acho que esta é uma questão que precisa de cuidado. É um apoio relativo, ele tornou público o voto, mas não está fazendo campanha. E ele está apoiando a chapa do MIG na eleição do conselho deliberativo.

Perfeito, mas o fato de ele abrir o voto para Vitório Piffero torna a disputa mais difícil.

(Interrompendo a pergunta). O Vitório não precisa de fiador eleitoral, ele tem uma história própria no clube que já o legitima a participar do processo. Mas é um agravante, complica. O Fernando, em outras épocas, deu nome a chapa de determinada candidatura. Mas aumenta o desafio também. O que acho, confio e acredito é o seguinte: o Vitório passou quase uma década dentro Internacional e eu não. Estou há dois anos no departamento de futebol e enfrentamento um desafio tremendo em 2013. Não estive na gestão de 2011/2012. Não sou o Giovanni, a disputa não é Piffero x Luigi. E aí alguns argumentos se perdem…

Tipo quais?

Ah, coisas como 'o Giovanni perdeu a oportunidade de fazer uma nova união no clube ao não convidar ninguém para formar a gestão'. Primeiro essa frase não tem consistência, Humberto Busnello, Diana Oliveira, Max Carlomagno não são Movimento Inter Grande e estavam no processo, na gestão, para ajudar na parte do estádio, da reforma. E no ano passado, quando terminou o ano, o Giovanni convidou o Vitório para o cargo de vice de futebol e ele não quis. Então não foi o Giovanni. Este argumento não cabe, mas ele é um adversário que tem um passado importante. Mas acho que o ciclo dele no clube já se encerrou. Apesar de ser um processo vinculado à gestão, a minha candidatura, eu sou uma pessoa nova. A nossa candidatura é baseada em propostas e não em um nome. É isto que quero que a torcida entenda.

UOL Esporte: A gestão de Giovanni Luigi tem o mérito de ter conduzido a reforma do Beira-Rio, mas ao mesmo tempo é criticada por ter conquistado só o Campeonato Gaúcho. A pergunta é: o desafio da sua campanha é desmontar esta imagem de um sucesso que não foi no futebol?

Marcelo Medeiros: Discordo que ela não tenha tido sucesso no futebol. O Giovanni não fez só o estádio, ele defendeu o patrimônio do clube, modernizou o patrimônio e ampliou. Fazendo uma obra, trocando o modelo desta obra e garantindo que ela fosse entregue dentro dos prazos. A Copa do Mundo aconteceu aqui e foi um sucesso. Além disto, demos uma aprimorada no CT do Parque Gigante com investimentos na preparação e recuperação de jogadores. E a doação onerosa de quase 90 hectares na cidade de Guaíba. No campo, ganhamos quatro títulos estaduais, nós ganhamos uma Recopa e disputamos duas Libertadores. Além de ficar dois anos sem perder um Gre-Nal. Além disto, estamos retornando à Libertadores agora. Desde que o Giovanni assumiu, o Inter jogou com o Beira-Rio em obras e ainda assim o clube não deixou de botar faixa no peito. Se ganhar o Gauchão é pouco, não ganhar é pior. A gente tem que saber valorizar o que conquista.

Que tipo de reforço o presidente Marcelo Medeiros contraria para o Inter de 2015?

Não vou abrir nomes. Acho que o Inter precisa aumentar a estatura média de sua equipe. Temos quatro jogadores qualificados que não são altos: Aránguiz, D'Alessandro, Alex e Nilmar. Temos o Willians, um jogador extremamente útil e muito importante, mas que não é alto. Wellington é outro, entrou bem na equipe e não tem estatura grande. Precisamos de um jogador por setor, no mínimo.

UOL Esporte: Tite, Abel Braga ou Mano Menezes. Quem mais te agrada?

Marcelo Medeiros: Quando vai ser publicada essa entrevista?

Amanhã…

O Abel.

UOL Esporte: E se for semana que que vem?

Marcelo Medeiros: Aí vou te dizer alguma coisa a partir de domingo. Meu compromisso é com o término do Campeonato Brasileiro e até lá, meu treinador é o Abel.

Conceitualmente, então.

Olha, são grandes treinadores e com características diferentes. Um é mais ofensivo, outro defensivo. São vencedores. O Abel tem uma vantagem: conhece o grupo, o clube e já nos conhece. Isso é importante. O Giovanni tem uma relação muito boa com o Tite. O Mano saiu cedo do Internacional, mas são três grandes treinadores. Mas acho que o Abel tem uma relação mais próxima com o nosso torcedor. Ele tem uma vantagem, conhece o grupo. Ninguém treina 300 jogos em um clube hoje em dia, o Abel é o técnico que mais treinou o Inter na era moderna. Isso é representativo. O Tite é um estudioso, um profissional que tem meu respeito, mas não conheço ele. O Abel eu conheço.

UOL Esporte: Que tipo de pensamento o candidato Marcelo Medeiros tem em relação à folha salarial para 2015? O Inter tem um trunfo no lado financeiro que é o quadro social, com mais de 100 mil associados.

Marcelo Medeiros: Sim, o nosso quadro social é invejável e mesmo durante o período da obra o índice de inadimplência foi muito baixo e isto deu fôlego importante. Mas a diferença entre o que a televisão paga para Corinthians e Flamengo e nós, clubes do sul, ainda é muito grande. Temos que ser criativos aqui, portanto, e o Inter sempre foi um clube formador de jogador. Vendemos bem menos do que em outras temporadas e neste final de ano, nenhum dos principais jogadores vai sair. A receita de venda de jogadores é importante, mas talvez em uma escala menor. A folha de pagamento do Inter está perto dos R$ 8 milhões e se equipara com São Paulo, Grêmio, Corinthians e Fluminense. O Cruzeiro tem uma folha maior. Mas não é possível fazer nenhum tipo de aventura. A gente só pode prometer o que pode cumprir, deveria ser assim no setor privado e no público. As pessoas deveriam prometer apenas o que elas podem cumprir e cumprir tudo que prometeu. Isso tinha que ser uma questão de princípios. Vamos ter que fazer uma adequação de investimentos, coisas que possamos pagar.

O candidato Vitório Piffero disse à reportagem na semana passada que dá para sustentar uma folha de R$ 15 milhões, com o orçamento do Inter chegando aos R$ 300 milhões, que é a projeção para o ano que vem.

Vou te dizer uma coisa, o Vitório falou que construía um estádio com R$ 150 milhões e diz agora que a folha salarial pode chegar a R$ 15 milhões. São dois números que não ficam de pé. É perigosa essa conta.

UOL Esporte: Dá para aumentar em quantos por cento a folha salarial do Inter em 2015?

Marcelo Medeiros: Dá para subir um valor que tu possas pagar. Na verdade, o Inter tem algumas questões que vão ser ajustadas no final do ano e uns 20 ou 30% acima disto já é algo. Se tu colocares R$ 15 milhões vezes 14, porque tem décimo terceiro e fundo de garantia, tu vais comprometer muito a receita do clube. Temos que ter cuidado ao fazer este tipo de cálculo, acho que não é por aí. Temos atletas da base para dar suporte ao grupo principal. Este tipo de caminho, primeiro de tudo, deixa 50% mais caro qualquer negócio que o clube possa vir a fazer. Não é uma estratégia inteligente, já demonstra que o Inter tem um dinheiro muito alto para gastar. Acaba sendo uma estratégia pouco inteligente. Se a folha atual é de R$ 8 milhões, subir para R$ 15 milhões é um aumento de quase 80, 90%. Não se faz isso com empresa alguma.

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